sexta-feira, 20 de novembro de 2009

2º Aniversário

Com uma temática extremamente restritiva e dedicada, exclusivamente, ao fenómeno futebolístico, faz hoje dois anos que, neste blogue, foi publicado o primeiro “post”.
Funcionando como “hobby”, para o autor dos textos, e continuando a atrair os habituais visitantes, existe a promessa que, no futuro, os comentários e reflexões manter-se-ão em torno do futebol.
Com uma frequência, aproximada, de dois mil visitantes/ano poderá parecer uma média baixa, mas atendendo à diminuta publicitação e à forma como foi direccionado o blogue, apenas divulgado entre amigos e conhecidos, o propósito está a ser plenamente conseguido.
Talvez por deformação clubista, os temas abordados têm sido um pouco repetitivos, privilegiando-se as incidências e os assuntos relacionados com o clube ao qual o autor se encontra vinculado afectivamente.
Também o seleccionar nacional de futebol não tem sido poupado e, provavelmente, massacrado excessivamente. Mas a sua aptidão para o lugar que desempenha, também não é muita.
O responsável pelo blogue, com algum atrevimento e talvez com pouco sentido das limitações, sabendo que é do agrado de quem lê, tem teorizado sobre alguns princípios técnico-tácticos do futebol, sempre na perspectiva de acrescentar algo de didáctico e proveitoso.
Por fim uma palavra de agradecimento a todos aqueles anónimos (os comentários não aparecem) que têm tido a paciência de visitar e de ler alguns dos longos textos publicados que, com a sua atitude, continuam a dar força e a manter viva “a chama que alimenta este espaço”, o qual pretende afirmar-se pela isenção e frontalidade nos temas focados.

domingo, 15 de novembro de 2009

Futebolices XVIII

Todos sabemos que o futebol português é fértil em originalidades.
Mas é difícil de encontrar justificação para o risco que o Sporting iria assumir, numa altura tão conturbada, ao contratar o jovem André Villas-Boas, como técnico principal da sua equipa de futebol.
Treinador à pouco mais de um mês, o seu palmarés está limitado à colaboração com José Mourinho na observação e avaliação das equipas adversárias.
Concluído o curso de treinador de futebol de 4º nível, na Escócia, Villas-Boas nada mostrou. Pelos vistos “viver” na envolvente do "special one" é “meio caminho andado” para se ter uma “grande saída”, como técnico futebol.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Abandono com tranquilidade

O elevado profissionalismo, o carácter, a coerência e a frontalidade não são predicados suficientes para se conseguir êxito no futebol. Não sendo menos competentes, rigorosos e exigentes que Paulo Bento, os ex-técnicos leoninos como Fernando Vaz, Mário Lino, Rodrigues Dias, Fernando Mendes ou Augusto Inácio também viram os seus contratos interrompidos, devido à sentença dos resultados, mesmo depois de terem conseguido o título nacional.
Contrariamente ao que aconteceu com aqueles vitoriosos técnicos, Paulo Bento pode-se considerar um privilegiado pois chegou ao comando técnico da principal equipa de futebol, de um clube com a grandeza e aspirações do Sporting, pela mão do então presidente Soares Franco, sem experiência, sem a maturidade necessária para o lugar e com um curriculum quase nulo (treinou uma época a equipa de juniores).
Consciente da ausência de traquejo e evidenciando os naturais complexos de afirmação, não descansou enquanto não afastou os capitães Beto e Sá Pinto, tendo utilizado conflitos pontuais, provavelmente evitáveis, com Liedson, Vuckevic, Polga, Stojkovic e Miguel Veloso, para se continuar a impor, no grupo de trabalho.
Também não foi inteligente na forma e no estilo de discurso escolhido para manifestar o descontentamento em relação às arbitragens, originando polémicas e deteriorando a sua própria imagem e a do clube que servia.
Usando de um autoritarismo exagerado e transparecendo um “ar”, quase sempre, amargo e sisudo, a imagem de liderança que tentou “passar” terá dificultado a união com o grupo de trabalho aumentando, perigosamente, o distanciamento entre a equipa e o técnico.
As quatro taças que conquistou (duas Taças de Portugal e duas Supertaças), em quatro épocas, não ofuscaram a ausência do principal titulo nacional (Liga) nem fizeram esquecer as goleadas verificadas nas competições europeias.
Embora louvável o lançamento de futebolistas, formados nas camadas jovens do clube, o reinado de Paulo Bento fica marcado pela ideia de que não procedeu a uma gestão adequada do grupo de futebolistas ao seu dispor, permitindo pensar que a motivação e o esforço para a realização de objectivos, são deveras influenciados por uma gestão desadequada ao fim que se pretende atingir.
Sabendo-se que, “pecare”, em latim, significa, nem mais nem menos, que “errar”, não é difícil identificar alguns dos principais pecados, do ex-treinador do futebol do Sporting e compreender o motivo pelo qual o clube de Alvalade, nas últimas temporadas, tem estado afastado dos principais títulos, com as nefastas consequências que se conhecem.
Um pequeno exercício de reflexão, permite identificar algumas das causas que levaram ao desempenho desadequado do ex-técnico:
- Quatro épocas em Alvalade, em que a qualidade de jogo praticado não convenciam, os mais optimistas. Raramente se presenciava uma jogada com princípio, meio e fim;
- A rotatividade na constituição das equipas não transmitia a confiança necessária aos futebolistas e prejudicava a mecanização do futebol praticado;
- Alterações constantes das posições dos jogadores que, durante um jogo, tinham que desempenhar várias funções;
- Doentia aposta numa rigidez táctica e num fastidioso “losango”, servido por futebolistas com características pouco adaptáveis ao “sistema” e que não deu os resultados esperados;
- Plantel formatado para um único plano de acção (táctica do losango), não permitindo alternativas nem a consolidação de um plano B. Vai ser a grande “dor de cabeça” do futuro treinador;
- Incompreensível a recomendação para o recrutamento de futebolistas (Rochemback e Postiga), cujas qualidades não se “encaixavam” no “seu losango”;
- Amuos e birras que tinham como principal objectivo a criação de anticorpos que, provavelmente, serviram para ofuscar as suas incapacidades e os resultados menos favoráveis;
- Aconselhamento/consentimento nas aquisições de Caicedo, Ângulo, Caneira, Pedro Silva para não referenciar Bueno, Ronny, Gladstone, Marian Had, Farnerud, Romagnoli, Celsinho, Purovic, e Rodrigo Tiuí.
- Apostou na formação que o acompanhou dos juniores. Na época 2008/2009 o Sporting também foi campeão nacional júnior e Paulo Bento não foi expedido a aproveitar qualquer elemento, tendo “mandado” os campeões "rodar" no Real de Massamá.
O orçamento e a qualidade da equipa não podem ser o bode expiatório dos maus resultados, sabendo-se que, o Sporting se encontra, na tabela classificativa, atrás de clubes com orçamentos muito mais limitados, com a vantagem de possuir um plantel constituído por futebolistas na sua maioria internacionais.
A frontalidade de Paulo Bento levou-o a confessar que esteve quatro meses a mais no Sporting. De facto, só Bettencourt não se apercebeu que o tempo de Paulo Bento se tinha esgotado, no final da época passada.
Também não se entende a atitude de alguns “notáveis” que continuam a afirmar que Paulo Bento não era o problema mas a solução, quando a equipa se encontrava quase a meio da tabela, exibindo um futebol lastimável.
Espera-se que, com José Eduardo Bettencourt, o Sporting não se esteja a “Belenizar” mas a “Atléticanizar-se”, como o simpático clube de Alcântara que, actualmente, disputa a II Divisão nacional.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O "losango" segundo Jesus

As leis que regem o futebol estabelecem que o jogo é praticado por onze jogadores de cada lado e que um deles, chamado de guarda-redes e equipado de maneira diferente, goza da prerrogativa especial de poder jogar com as mãos, dentro da grande-área. As mesmas leis nada referem relativamente ao posicionamento dos jogadores no terreno de jogo, à existência de defesas, médios ou avançados, nem ao modo como se joga, pelo chão ou pelo ar, em passe curto ou em passe longo, nem às movimentações defensivas ou ofensivas.
Não é possível passar ao lado da evolução estratégica do futebol, sem abordar o seu elemento fundamental: a colocação dos jogadores no terreno de jogo. Progressivamente, “arrumar” os futebolistas provocou o desaparecimento do jogo instintivo e desconexo e fortaleceu o entendimento entre os seus elementos desenvolvendo o espírito de equipa.
Ao longo dos anos, e fruto da imaginação e experiência dos técnicos do futebol, foram sido criadas as tácticas e surgiram os “sistemas de jogo”, ajustados tanto às características dos futebolistas que compõem a equipa como às características do adversário que defrontam.
Pode dar-se liberdade e valorizar as iniciativas individuais dos futebolistas, mas a estratégia e a forma como os jogadores se combinam e associam e participam no trabalho de conjunto tem de existir em todas as equipas, sob pena de o futebol praticado se transformar numa anarquia de esforços descontrolados, de pontapé para a frente e de correrias desenfreadas. Sem técnica, nem táctica de jogo, sem princípios reguladores da utilização dos futebolistas, na manobra defesa-ataque, não podem existir grandes espectáculos e dificilmente se “chegará” ao golo.
Assim, não é de estranhar que, as “linhas-mestras”, que suportam a formação e estruturação de uma equipa de futebol, minimamente competitiva, assentem na escolha táctica, na estratégia e, logicamente, na qualidade dos futebolistas que a compõem.
Muitos técnicos portugueses, onde se incluem os treinadores dos dois principais rivais da capital, Paulo Bento e Jorge Jesus, fazem da utilização do 4-4-2, em losango, constituído por quatro centro-campistas colocados nos vértices de um losango imaginário, que avança e recua à medida que surgem adversários, o “modelo táctico” predilecto e a almejada chave para alcançar êxitos.
Como só por si, a escolha da “táctica do losango” não é, sinónimo de sucesso, a presente época na Liga tem mostrado como o Sporting e o Benfica conseguem resultados tão díspares, que os têm afastado na tabela classificativa.
O treinador Jorge Jesus pode evidenciar algumas lacunas, em termos comportamentais e/ou nível do trato pessoal, mas denota uma perspicácia fora do comum na aplicação do “célebre losango”. As provas dadas no Sp. Braga, na última temporada, estão a ser confirmadas no Benfica actual, ao invés do que acontece com o seu homologo, no clube de Alvalade.
Numa táctica tão exigente como a escolhida, os médios não poderão estar somente limitados a desempenhar o papel de ligação entre os defesas e os homens mais avançados terão, forçadamente, de ser os principais responsáveis pela introdução da dinâmica, profundidade e flanqueamento do jogo da equipa.
À semelhança do que aconteceu no Sp. Braga, na época transacta, onde os vértices laterais do losango eram desempenhados por dois elementos com as características de flanqueadores (Alan e César Peixoto), Jorge Jesus conseguiu transportar para o clube da Luz a mesma filosofia e interpretação táctica, servindo-se com mestria da elevada cultura e disciplina de Ramires e das qualidades galvanizadoras do extremo-puro, que é Di Maria.
Contrariamente aquilo que se passa no clube encarnado e após quatro época a implementar o mesmo sistema de jogo, Paulo Bento, por teimosia ou inexperiência ainda não conseguiu entender que João Moutinho no vértice direito do losango e Vukcevic no vértice do lado oposto, não conseguem imprimir ao futebol do Sporting a dinâmica ofensiva e vivacidade requeridas por um futebol com aspirações. De facto, João Moutinho e Vukcevic, vocacionados para jogar mais como médios-centro dificilmente poderão interpretar o papel de “alas”, de forma a alargar a frente de ataque e libertar os ponta-de-lança das marcações cerradas a que estão sujeitos, de forma a tornar o futebol leonino mais eficaz e produtivo.
Face ao exposto, poder-se-á concluir que, não deverá ser a táctica a impor-se aos jogadores mas o inverso, tornando-se primordial escolher um sistema e um plano estratégico de jogo adaptados às qualidades dominantes dos principais elementos que constituem a equipa. O mesmo sistema táctico, que “fabricou” uma grande equipa, pode, com efeito fracassar se for servido por outros intérpretes.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O Sofisma

O baixo vencimento auferido por Paulo Bento tem sido um dos principiais argumentos utilizado, sub-repticiamente, pela Administração da SAD leonina e pelos poucos apoiantes que defendem a presença do treinador, à frente dos destinos do futebol do Sporting. Se acrescentarmos a este facto, o tão apregoado e limitado “orçamento leonino”, encontram-se, teoricamente, reunidas as condições para a manutenção do “Paulo Bento forever” e, logicamente, inviabilizada a possibilidade de contratação de um técnico experiente e categorizado.
Contudo, e segundo os jornais da especialidade, ficámos a saber que, mesmo “diminuto” o ordenado de Paulo Bento consegue superar bastante o salário de Jorge Jesus, como técnico do rival Benfica, que só verá os seus proventos aumentos, através de prémio adicional, se vencer a Liga.
De facto, estamos na presença de mais uma falácia fomentada por dirigentes que, para além de empregarem algum do seu tempo na auto promoção, servem-se do “baixo orçamento” e das poucas disponibilidades financeiras para justificar uma gestão ruinosa, em termos desportivos, mas não impeditiva de conceder prémios de desempenho a uma equipa técnica, com remunerações acima da média, que na última época nada venceu.
Por outro lado, e contraditoriamente à situação de pouca abastança em que o clube vive, a Administração prossegue a sua politica de contratação de futebolistas ao futebol inglês (Caicedo), italiano (Grimi) e espanhol (Ângulo e Matais Fenandez) engrossando os encargos salariais, quase sempre, não correspondidos devido à duvidosa categoria futebolística patenteada por tais elementos.
Os “brilhantes gestores” que se encontram, presentemente, à frente dos destinos do Sporting ao escudarem-se, continuamente, no “baixo orçamento” para além de se desresponsabilizarem de uma gestão convincente, estão a “branquear” os maus resultados da equipa de futebol, colocando em segundo plano a incompetência e a inexperiência reveladas por Paulo Bento.
Os dirigentes leoninos, numa atitude só justificada para ocultação da inépcia e incapacidade, têm, sistematicamente, se servido da argúcia para iludir adeptos, encobrindo o treinador do futebol e desvalorizando um plantel formado por jovens talentosos e internacionais experientes, que o único “pecado” que cometeram foi a inadaptação a um modelo de jogo, gasto por quatro temporadas, onde as ideias do técnico não foram além de um fastidioso “losango”.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Património Nacional?



Sempre ouvi dizer que uma mentira repetida vezes sem conta, pode vir a transformar-se numa “verdade absoluta”.
A “revolução dos cravos”, saída do 25 de Abril de 1974, trouxe para a “ribalta” alguns “cristãos novos” que utilizaram o “progressismo” para ganhar posições de relevo, numa sociedade que dava os primeiros passos democráticos ou, pior ainda, com o objectivo de ocultar passados pouco abonatórios.
O desporto não podia fugir à regra e, não foram poucos os “democratas” que o utilizaram como “trampolim” e contraponto ao regime deposto.
Futebolisticamente falando, Eusébio foi um predestinado e, justamente, classificado como um dos melhores jogadores da sua geração, ao nível de Pelé, Di Stefano, Cruyff ou Garrincha.
Terminada a sua brilhante carreira de futebolista, e à semelhança do que acontece com outros antigos desportistas, da nossa praça, Eusébio começou a ser solicitado e a marcar presença em debates, mesas redondas, painéis de opinião ou simples programas televisivos de divertimento, que versavam temas relacionados com a sua passada actividade.
Nesta nova tarefa, o “nosso” Eusébio nunca mostrou a mesma aptidão como a que tinha com a bola nos pés e, às vezes, o desconforto era tão grande que acabava por “meter os pés pelas mãos”, coisa que nunca aconteceu em campo. Logicamente que, a responsabilidade não era exclusiva da antiga vedeta mas, principalmente, de quem fazia o convite.
Ocasiões houve, onde sobrava assunto mas faltavam as palavras e, onde a única forma de se esquivar era abordar um tema recorrente, mas muito do agrado dos “novos situacionistas”, e referia: «Após o Mundial 66, tive convites para jogar em Itália mas o Dr. Salazar, pessoalmente, comunicou-me que eu era considerado “património nacional” e que não me autorizava a abandonar o País».
Uma frase com esta “carga” cai sempre bem a quem a ouve e a quem a profere.
No entanto, não existe referência que Eusébio e Salazar se tenham “cruzado” para além da recepção que o então Presidente do Conselho concedeu, em homenagem aos “magriços”, que tão brilhantemente representaram o futebol português, no mundial realizado em Inglaterra. Também não há memória, nem testemunhas de que, posteriormente, Eusébio e Salazar se tenham encontrado e trocado qualquer palavra.
Na recepção realizada, no Palácio de S. Bento, com a presença dos jogadores e dirigentes federativos, também não existem testemunhos de o Presidente do Conselho tenha abordado o tema “património nacional” que, para além de descabido não teria, à época, qualquer sentido, atendendo a que a proposta da Juventus de Itália só aconteceu meses depois. O próprio Eng.º Armando Rocha, então Director Geral dos Desportos, que na cerimónia protocolar desempenhou a missão de apresentar os futebolistas, confirmou que não foi Eusébio que mereceu um tratamento prolongado, mas sim Vicente com quem Salazar teve uma demorada troca de impressões, uma vez que o jogador belenenses tinha regressado de Londres com o pulso partido.
Por outro lado, não se pode negar que, o “grande Eusébio” após a sua brilhante participação no mundial de futebol, realizado em Inglaterra em 1966, tenha recebido aliciante convite da “vecchia signora” e, inclusive, se deslocado a Itália com a mulher, Flora, afim de se inteirar da realidade da sociedade transalpina e, eventualmente, assinar o respectivo contrato com o clube italiano. Só que o imprevisto aconteceu e, em face da desastrosa participação da “squadra azzurra” no citado mundial de futebol, onde foi eliminada, na fase de grupos, depois de ter perdido com a URSS e a Coreia do Norte, a federação italiana decidiu cancelar a entrada de jogadores estrangeiro no seu futebol, tendo como objectivo fomentar o aparecimento de jovens talentos locais.
Assim, Eusébio e qualquer outro futebolista estrangeiro viram-se impedidos de emigrar para o futebol italiano, durante algumas épocas, no caso português, para gáudio dos benfiquistas.
A confusão patenteada por Eusébio não se limita à celebre frase atribuída a Salazar, também afirmou que o trajecto entre Liverpool e Londres, que antecedeu o jogo da meia-final com a Inglaterra, em Wembley, teria sido efectuado num velho e desconfortável autocarro, quando na realidade, o percurso se realizou em comboio tendo, somente, sido requerido um autocarro para o transbordo entre a estação de caminho-de-ferro e o hotel londrino.
O “politicamente correcto" boato, criado pela natural perturbação que existe numa mente, provavelmente, afectada pelos diversos impactos do esférico, embora não tendo qualquer consistência irá perdurar e continuará a branquear a história, tornando-se, como todos os outros boatos, mais perigoso que um Decreto-Lei, uma vez que o boato é sempre para “cumprir” e o D.L. poderá ser ou não.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O Hulk vai nu!

Era uma vez um rei muito vaidoso que gostava de andar bem vestido. Um dia, dois alfaiates intrujões convenceram-no de que tinham um tecido, de muito boa qualidade, que só os tolos não eram capazes de o ver. Com o objectivo de distinguir entre as pessoas inteligentes e as idiotas, que frequentavam a sua corte, o rei logo solicitou um fato com o novo tecido.
Algumas semanas depois, os dois aldrabões apresentaram ao rei o novo fato fazendo de conta que o estavam a vestir e com exclamações elogiosas à nova vestimenta. Este não via nada da nova roupa, mas como não queria passar por parvo, respondeu que era muito bela, tal como aconteceu com os restantes membros da corte que, também acharam o fato uma verdadeira maravilha.
Um dia o rei resolveu sair à rua para mostrar ao povo o novo vestuário e como ninguém queria passar por trouxa, só recebia elogios pelas novas vestes até que, a certa altura, uma criança com toda a sua inocência gritou: - Olha, olha! O rei vai nu!
Foi um espanto! Gargalhada geral. Só então o rei compreendeu que fora enganado.

Analogias com este conto tradicional português são por demais evidentes quando se trata de avaliar e potenciar as qualidades futebolísticas do avançado brasileiro do FC Porto, Givanildo Vieira de Souza, mais conhecido por Hulk.
Tal como no clássico conto, são variadas as vozes que se erguem em elogiosos atributos, numa “corte” reunida em painéis desportivos, constituída por pseudo-comentadores, mais conhecidos por “paineleiros”, e onde se perfilam opiniões coincidentes.
Também os jornais da especialidade, numa unanimidade pouco saudável, classificam o futebolista como um verdadeiro fora-de-série, apontando-o, inclusive, a médio prazo, como um sério candidato a melhor jogador do planeta.
Provavelmente, ou estão a “tomar a nuvem por Juno”, ou tal como no conto, a “ver” alguma coisa que, por enquanto, não existe.
De facto, parece estarmos na presença de um futebolista que, embora ainda jovem e com considerável margem de progressão à sua frente, já evidencia algum potencial, mas que ainda se encontra numa fase de formação e de “crescimento futebolístico”, necessitando de algumas correcções a naturais deficiências e “imperfeições”, tendo em vista o aperfeiçoamento das suas capacidades.
Explosivo e fisicamente poderoso, mas ainda ingénuo e individualista, os adversários servem-se dessas características para o “travar”. As manifestações de evidente descontrolo emocional, em reacção às faltas que sobre ele são cometidas, as queixas insistentes e os excessos verbais, junto dos árbitros, reflectem-se no seu rendimento em campo. Também, o exagerado egoísmo que vem denotando condiciona e impede-o de tornar-se num jogador de equipa que, logicamente, sofreria menos faltas e marcaria mais golos.
Jesualdo Ferreira ao afirmar que pretende “fazer” de Hulk um goleador, colocando-o na posição 9, para além de estar a limitar o espaço de acção do próprio futebolista, estará a prescindir, à partida, de um avançado-centro tradicional, candidato natural à Bola de Prata. Por outro lado, ao fazer descair Hulk para uma das alas, o técnico está a introduzir um “corpo estranho” na estratégia, adulterando um 4-3-3 que tão bons resultados têm proporcionado ao clube do Dragão, e que “vive” de dois alas-clássicos. A prestação do jogador poderá, eventualmente, ser melhorada se escolhida a táctica 4-2-2, com o jogador na posição de segundo ponta-de-lança, a “vir de trás para a frente”, servindo-se do seu forte poder de arranque e da invejável potência de remate, com o pé esquerdo.
Como ninguém gosta de ser enganado, como o rei do famigerado conto tradicional, dever-se-ia reflectir e analisar o motivo pelo qual, em tão mediático “mundo do futebol”, um futebolista com tantas qualidades, que debutou na segunda Liga japonesa, não ter merecido um efectivo interesse, por parte dos principais clubes europeus e somente os “olheiros” ao serviço dos portistas lhe tenham reconhecido qualidades, fora do comum.
Para bem do futebolista, não se deveria exigir demasiado do seu rendimento, com descabidas lisonjas que poderão condicionar a sua evolução, reconhecendo que Hulk é ainda um jovem jogador “por lapidar” que, pelas potencialidades e irreverência que evidencia, poderá aspirar aos mais “altos voos”.