domingo, 21 de março de 2010

Futebolices XXII

A Final da Taça da Liga dissipou todas as dúvidas. Jesualdo Ferreira está tão farto do FCP como os adeptos portistas dele. “Desencantar”, para a baliza, o Nuno Espírito Santo, num encontro de final não lembrava ao diabo. Guarda-redes de 36 anos que raramente foi titular pelos diversos clubes por onde passou, sem rotina e “sem baliza”, há várias épocas, não era difícil de “adivinhar” as falhas e os erros cometidos. O “frango” do primeiro golo, o mau posicionamento no segundo e as hesitações nas saídas aos cruzamentos criaram instabilidade na equipa, retiraram confiança aos defesas e com os nervos “à flor da pele” Bruno Alves só não foi para o balneário mais cedo porque se tratava do capitão portista, com o “peso” que isso encerra.
Jesualdo chegou ao fim da linha.

terça-feira, 9 de março de 2010

Escorpiano

Para quem acredita na leitura dos astros e acompanha, assiduamente, as previsões dos astrólogos, publicadas em jornais diários e/ou em revistas, editadas com a finalidade de preencher o imaginário feminino, sabe que um escorpiano, entre outras coisas, é um individuo enérgico, determinado, trabalhador, inteligente, profundo, secreto e arrojado. Fiel, apaixonado e emocional é capaz de carregar um comboio pelos amigos, mas será o mesmo comboio que usará para lhes passar por cima para se vingar de quem o magoar. Regidos por Plutão e tendo como elemento a Água, a este signo pertencem: Alain Delon, Carlos Drummond, Claude Monet, Martin Scorcese, Roosevelt, De Gaulle, Albert Camus, Dostoievsky, Pablo Picasso, Voltaire, Grace Kelly, Júlia Roberts, Leonardo DiCaprio, Bill Gates e muitos mais.
Pois são estas qualidades e defeitos, quase ideais para um desportista, que o actual seleccionador da França, Raymond Domenech para além de não as aproveitar, despreza-as na totalidade, ao ponto de os futebolistas nascidos, entre 24 de Outubro e 22 de Novembro, não aparecerem em nenhuma das convocatórias do Mundial 2006 e Europeu de 2008.
Soube-se agora, por Robert Pires, que os nascidos sob o signo do escorpião não eram convocados para a selecção gaulesa por não serem considerados, por Domenech, “boas pessoas”, apelidando-os de manipuladores, curiosos e com má influência no balneário, pois não sabem conviver com os outros. Ou seja, se dependesse do técnico francês, os futebolistas, Pelé, Maradona, Figo, Garrincha, Luís Fabiano, Simão, Nani, Papin, Van Basten, Del Piero, Blokhin, Brehme, Dunga, Francescoli, Gerd Muller, Alemão, Asprilla, Gullit, Lineker, Mazzola, Nené, Riva, Scholes, Stielike, Van der Sar, Uwe Seeler, Fritz Walter, Yashin, Dwight Yorke, Patrick Berger, Berthold, Laurent Blanc, Germano, Fernando Gomes, Haan, Hamrin, Glenn Hoddle, Mark Hughes, José Águas, Kieft, Maniche, Vavá, Vercauteren, Wimmer, Ademir Menezes e Domingos da Guia, nunca tinham dado um pontapé numa bola.
Com cara de pouco inteligente, Raymond Domenech não consegue contrariar o seu destino de “bom aquariano” e o espírito visionário que o caracteriza não o deixa ver muito mais além que a ponta do seu nariz, sendo muitas vezes um cegueta com óculos. Teimoso, com personalidade excêntrica e espírito imaginativo é, no entanto, um grande pantomineiro e como, normalmente, se apresenta com aspecto sujo ou pouco apresentável faz com que tenha poucos amigos, pois todos pensam que é um enorme imbecil.
Também, segundo os astros não é difícil irritar os nascidos, como o Sr. Domenech, entre 21 de Janeiro e 19 de Fevereiro, basta deixar evidente que os assuntos místicos não passam de uma grande tolice ou controlando-lhes os movimentos e mostrando-lhes saber mais do que eles em todos os assuntos, dizendo-lhes o que têm de fazer, quando e como.
Lamentável e incompreensível é saber-se que, as posições assumidas pelo Sr. Domenech estão praticamente enraizadas, na sociedade onde nos encontramos inseridos. Frequentemente se assiste a indivíduos, reconhecidamente incapazes para as posições que ocupam, rodearem-se de outros ainda mais inaptos, se possível evidenciando ausência de espírito crítico e diminuta capacidade intelectual. Estes “predicados” garantem que as decisões não serão contestadas, nem tão pouco questionadas, mantendo o percurso estável e ascendente. Trata-se do velho princípio: «Em terra de cegos, quem tem um olho é rei».
Não é por acaso que indivíduos como o senhor Domenech raramente são vistos na companhia de pessoas inteligentes, com opinião e que, eventualmente, possam colocar em causa as suas escolhas e opções.
Ora um genuíno nativo de escorpião, indivíduo perspicaz, com elevado sentido de justiça, conhecido por estudar cuidadosamente os que o rodeiam, até agradece que criaturas como o Domenech estejam do lado oposto da “barricada”, evitando-se assim misturar temperamentos e “formas de estar”, completamente antagónicos.
Mal interpretado o escorpião é, injustamente, considerado o signo mais assustador do Zodíaco, ou melhor, com mais má fama! Só um escorpião sabe como as pessoas reagem quando se diz que é daquele signo…
Se conhece algum Escorpião e acha que o conhece como a palma da sua mão, está enganado. Eles escondem sempre qualquer coisa, mas será que são assim tão maus? Nem por isso.
São apenas escorpiões …..... e o resto serão mesmo só intrigas de monsieur Raymond Domenech!!!

domingo, 7 de março de 2010

"I've got a feeling"

No final do jogo particular, disputado em Coimbra, onde a Selecção Nacional foi despedida com um monumental coro de assobios, após uma exibição nada animadora sobre a fraca e acessível selecção chinesa (2-0), o seleccionador considerou-se satisfeito, no cômputo geral, com a exibição da equipa só lamentando o comportamento do público que, segundo as suas palavras, não caiu bem no sentimento geral dos portugueses.
Também o presidente da FPF, Gilberto Madail, após o encontro e na sequência das paupérrimas prestações que o seleccionado, comando por Carlos Queiroz, vem patenteando, em mais um momento infeliz afirmou: «Não gosto dos olés nem quando a selecção está a jogar bem e muito menos quando está a jogar mal». Também aconselhou os adeptos a ficarem em casa se não estiverem dispostos a suportar a “estucha” que é um jogo da Selecção, desrespeitando quem pagou o seu bilhete para assistir ao encontro.
Já é altura destes senhores entenderem que, apoiar a selecção não é desculpar todos os erros, e as decepcionantes prestações, é exigir a qualidade exibicional que deverá estar em conformidade com o sexto lugar que Portugal ocupa no ranking da FIFA, à frente de selecções como a França, Inglaterra, Argentina e ....………...............China, situada na 83ª posição.
Depois de uma fase de qualificação "cinzentona" que provocou o divórcio entre a maioria dos portugueses e a sua selecção, um pouco de humildade ficava bem a todos, especialmente, a Carlos Queiroz cuja agressão a um comentador desportivo não ajuda muito ao ressurgimento das bandeirinhas nas janelas.
Só criar um ambiente de apoio em torno da canção dos Black Eyed Peas, não chega para garantir um bom desempenho na África do Sul.
“I've got a feeling”.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Futebolices XXI

Nada acontece por acaso. Muito menos no futebol.
A utilização da táctica aconselhada e da estratégia mais eficaz é “meio caminho andado” para se chegar ao êxito.
“Espetar” três tentos no Everton que, não há muito, tinha desbaratado o Chelsea e o Manchester United, na Premier League, não está ao alcance de qualquer equipa.
Ao colocar dois elementos nas alas (Yannick e Izmailov), Carvalhal tinha tudo para ser feliz e os golos apareceram com a naturalidade, justificados por um Sporting dominador.
Já no encontro da 1ª mão, em Liverpool, o Sporting tinha conseguido um penalty moralizador, após entrada de Yannick para ocupar uma posição num dos flancos, de forma a “abrir” a frente de ataque.
Já é altura de alguém aprender a lição.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O Descalabro

Confesso que te invejo, meu caro Zé Eduardo.
Ser presidente profissional do meu clube, com chorudo vencimento, mordomias que nunca mais acabam e passar o dia, na academia, a assistir aos treinos em contacto directo com as “vedetas” é mais que suficiente para te invejar o lugar. Adicionando as fartas almoçaradas e jantaradas, em saudável cavaqueira e confraternização, com os núcleos sportinguistas, preferencialmente, localizados no Canadá ou em New York, a que mais poderia aspirar?
Por outro lado, e sempre que as decisões ou a ausência delas fossem contestadas, poderia sempre recorrer aquele teu ar de enfado e apelidar de terroristas os associados, responsabilizando-os pelo ambiente destabilizador, ameaçando-os de expulsão.
Embora te esforces por “passar” uma imagem populista, o teu pomposo apelido não consegue ocultar uma aristocracia indispensável à continuidade das demagógicas e pouco rigorosas gestões, que te antecederam.
Também não te imaginava milagreiro, meu prezado consócio José Eduardo Bettencourt, e custa entender como “do pé para a mão” ou por artes mágicas conseguiste passar de uma situação de deficiente orçamento, como sempre apregoaste, e conseguiste disponibilizar uma verba próxima dos 11 milhões de euros, que coloca o Sporting no lugar cimeiro dos clubes europeus que mais gastaram em contratações, no mercado de Janeiro.
Ingénuo, ainda acreditei que ias “atacar” o “Mercado de Inverno”, com a intenção de corrigir carências evidenciadas por um plantel mal estruturado e direccionado para um estafado “losango”, responsável pelos sobressaltos e insucessos da presente temporada, procedendo aos necessários ajustes e acertos no quadro de futebolistas.
Mas mais uma vez a expectativa saiu gorada e, provavelmente, mal aconselhado pelos teus assessores directos e/ou pela nova equipa técnica e evidenciando um gritante desconhecimento futebolístico e uma incompetência confrangedora, investiste em elementos que, presentemente, pouco irão modificar o panorama desportivo sportinguista.
Começaste por “gastar” 3,5 milhões de euros no “baixinho” João Pereira. Jogador de inegáveis recursos, temperamento aguerrido e de entrega total ao jogo, mas que pouco irá contribuir para colmatar os desequilíbrios que se verificam nas faixas laterais, mais recuadas. Apostar num defesa lateral-direito não parece ter sido a escolha mais acertada, quando no lado oposto apenas existe um Grimi (quanto estará a custar este activo, contratado ao Milan?) que, devido à sua deficiente qualidade técnico-táctico, em condições normais dificilmente seria uma opção em qualquer clube candidato a títulos.
Na segunda aquisição desembolsaste 6,5 milhões de euros e a escolha recaiu em Sinama-Pongolle, avançado que nesta época em dez jogos disputados, ao serviço do Atlético de Madrid, marcou “zero” golos. Nada animador, sabendo-se que, na temporada transacta e também no clube madrileno, em trinta jogos apenas apontou 5 tentos, o último dos quais frente ao Almeria, em 18 de Janeiro de 2009. Na prática adquiriste o avançado mais caro de sempre do emblema leonino com o objectivo de substituir um outro, recrutado no início da época e não menos eficaz (Caicedo).
E se os milhões de euros despendidos, tivessem sido empregues em Ruben Micael, futebolista jovem, adaptadíssimo ao futebol português, de categoria inquestionável e que se encaixava na perfeição num meio-campo onde pontificam Miguel Veloso e João Moutinho, que o Nacional “oferecia” por 5 milhões de euros?
A última aquisição custou 1,3 milhão de euros e é ainda mais incompressível. Apostar em Pedro Mendes, centro-campista de 30 anos, para reforçar um sector onde existem futebolistas com características semelhantes, numa altura em que o novo técnico tentava “lançar” o jovem Adrien, não parece coerente.
Assim, e no sentido de colmatar as lacunas existentes no plantel, teria sido mais aconselhado o investimento em futebolistas com as características necessárias para jogar bem abertos nas alas, quer numa opção táctica de 4-4-2 ou 4-3-3 de forma dar a profundidade ao futebol leonino, que tanto carece.
Difícil de explicar, a não ser que ande por aí “dedinho” de empresário, a aposta em futebolistas que estão impossibilitados de disputar a Liga Europa (representaram os anteriores clubes na referida Liga) sabendo-se que, o Sporting se encontra arredado da disputa do titulo máximo nacional, eliminado da Taça de Portugal e que a Taça da Liga e a Liga Intercalar não justificam os montantes envolvidos em tais aquisições.
Ah! É verdade! Depois da audição das “escutas”, quando te cruzares com o teu homologo Pinto da Costa, não te esqueças de lhe estender a mão e ficar “pendurado”.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Sá....Sá....Sássaricando

Sempre considerei que Sá Pinto, enquanto futebolista, beneficiou de um proteccionismo exagerado e de um apoio quase incondicional, quer por parte de grande franja dos adeptos leoninos quer dos “mass media”. Sem justificação aparente, o demissionário director do futebol do Sporting via, bastas vezes, enaltecidas as suas qualidades futebolísticas e de cidadão, salientando-se, quase sempre, o elevado carácter e a esmerada formação e educação que recebeu dos seus progenitores (diz-se que é brasonado), ao ponto da comunicação social, sub-repticiamente, ter “branqueado” as agressões de que foi alvo o antigo seleccionador nacional Artur Jorge, por parte de tão “notável personagem”.
Com temperamento agressivo e com passado pouco abonatório para o desempenho de funções que requerem serenidade, maturidade e temperamento conciliador, é com alguma surpresa que, os mais cépticos, vêem o ex-futebolista assumir tarefas de liderança, no seu regresso ao contacto directo com o futebol sportinguista. Mas com características tão apreciadas, pelas claques leoninas, e com a política de incompetência reinante na SAD sportinguista, não foi de estranhar o convite endereçado pelos responsáveis do clube de Alvalade.
Como o tempo é bom conselheiro, as complicações não se fizeram esperar e o envolvimento conflituoso com Liedson, embora parecendo descabido, foi o ajustar de “contas” e de “acertos” que vinham de um passado, não muito longínquo.
Convém referir que, nestas situações a “culpa não morre solteira” e todos os intervenientes têm a sua “quota-parte” de responsabilização nos actos. De facto, Liedson, com a sua cara de anjinho e com aquele tom de voz “soft”, está longe de ser um “menino do coro” e só “entrou nesta jogada” porque, no último encontro que disputou, “enfiou” dois golos na baliza do adversário. Não dependesse o Sporting do “levezinho” para resolver os jogos ou este continuasse a manter os fraquíssimos índices de concretização, que ultimamente tem evidenciado, e o lamentável desaguisado seguido de cena de pugilato não teria surgido. Mais um pequeno episódio para juntar ao estado decadente em que se encontra o Sporting.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Pela verdade desportiva?

Enquanto se alimenta a esperança de ver o “olho de falcão”, nos nossos estádios de futebol, foi entregue na Assembleia da República, pelo “Movimento pela Verdade Desportiva”, uma petição para ser analisada, nos termos do artigo 24º do Direito de Petição, previsto na Constituição. Agora, os deputados vão ler atentamente a dita petição, ouvir a Liga e a Federação, recolher os dados desta problemática, no panorama nacional, e elaborar um relatório.
Como os nossos políticos andam todos a reboque da comunicação social, o “parecer resultante do plenário” vai ser favorável e dar origem a legislação específica. Depois é só alterar as leis do futebol, em Portugal, enquanto o resto do mundo continua a reger-se pelas XVII Leis do International Board.
O futebol, em Portugal, nem como o “olho do cu….co” lá vai, quanto mais com o “olho de falcão”.