segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

JEB deu um traque e fugiu

Existe um ditado popular que diz: «Quem se vê e não se viu, deu um traque e fugiu». Ditado antigo, pretende retractar indivíduos com passado pouco afirmativo, não parcos em promessas quando em lugares de destaque mas, quando os abandonam, quase sempre apressadamente, pouco ou nada deixaram de válido e relevante.
Após derrota, em Alvalade, com o Paços de Ferreira por 3-2, mal sentiu a contestação por parte dos associados, na fase final do encontro, José Eduardo Bettencourt demitiu-se do cargo de presidente do Sporting.
Durou cerca de ano e meio o confrangedor mandato do primeiro presidente profissional do Sporting. Não cumpriu a sua missão e saiu pela “porta pequena”, deixando o lugar com pouca honra e ausência de glória.
Apostou em treinadores inexperientes e sem curriculum (Carvalhal e Paulo Sérgio) e em directores para o futebol, com idênticas características (Sá Pinto e Costinha).
Também contratou um punhado de jogadores, de capacidade duvidosa, em mercados caríssimos como o italiano, o espanhol e o inglês. Más compras, que levantaram legítimas dúvidas pelas avultadas verbas envolvidas e que nada conquistaram.
Por outro lado, protagonizou episódios de tensão, descabidos, com alguns sectores da massa associativa, ao ponto de chegar a ameaçar de expulsão sócios implicados em movimentos de contestação e que ajudou ao afastamento dos adeptos do estádio.
Se à lista de fracassos adicionarmos as vendas, a preço de saldo, de Miguel Veloso e João Moutinho, que originaram o incomodo criado pelas palavras de José Eduardo Bettencourt, naquela triste conferência de imprensa, classificando João Moutinho como uma maçã podre que contaminava todo o grupo obrigando-o, posteriormente, a cair em contradição ao definir Moutinho como um profissional extraordinário.
Recentemente viria a contratar José Couceiro, sem uma explicação clara sobre funções e objectivos que, com o recente abandono, mereceu apenas duas semanas de confiança presidencial.
Ao “bater a porta”, JEB para além de não cumprir o compromisso assumido com mais de 90% dos associados, coloca tudo na estaca zero, abrindo caminhos e opções ao clube de Alvalade para poder afastar uma “geração de notáveis gestores” que, com o argumento da sustentabilidade e do saneamento financeiro conduziram o clube a secundários lugares desportivos.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Custou, mas foi!

Após seis meses de intensos treinos na Academia, de dez jogos disputados na Liga Zon Sagres, outros tantos na Liga Europa, um encontro na Taça de Portugal e cerca de meia dúzia de carácter particular parece que, finalmente, Paulo Sérgio acertou com a táctica que mais se aconselha ao futebol leonino e que melhor se adapta às características do futebol português.
Ao escolher o sistema 4x3x3, na variante 4x2x3x1, o treinador sportinguismo, depois de muitos ensaios, acertos, alteração e modificações aos sistemas tácticos pré-definidos parece ter conseguido estabilizar, com evidentes resultados no plano exibicional.
De facto, impor um sistema táctico a um grupo de futebolistas escolhidos por critérios duvidosos, mais ao sabor do interesse ou da vontade de um empresário, privilegiadamente aceite no “reino do leão” (Jorge Mendes), não se torna tarefa fácil.
Com limitações no “jogo exterior”, fruto de carências em termos de médios-ala/extremos de raiz, a ausência prolongada, por lesão, de Izmailov deveria ter merecido mais atenção por parte dos responsáveis leoninos e, provavelmente, ter-se-ia evitado a aquisição, difícil de explicar, de um terceiro guarda-redes (Hildebrand) como reforço do plantel.
Também, num plantel desequilibrado se questiona a necessidade da aquisição de um médio-centro com as características de Zapater, jogador de pouca mobilidade, mais posicional, que joga a espaços e que se “ausenta” grande parte do jogo, quando para a mesma posição o clube dispõe do jovem André Santos, formado na Academia, muito mais envolvido no jogo de equipa, a recuperar e a tentar construir jogadas de ataque e com grande resistência competitiva, como é exigido a um médio-centro moderno.
Por outro lado, o tempo e os jogos vieram confirmar que a insistente colocação de Valdéz nas alas, tentando colmatar as lacunas existentes, só prejudica o futebolista e a própria equipa. Jogando em várias posições o jogador acaba por perder-se, pois não permite que se adapte à posição para a qual tem demonstrado mais apetência, pois denota elevada capacidade para criar linhas de passe e de aparecer com perigo nas zonas de finalização, faculdades exigidas a um médio-atacante-centro que joga “nas costas” do ponta-de-lança.
Embora os “experts” em matéria futebolística continuem a afirmar que, para potenciar o rendimento concretizador da equipa, Postiga e Liedson deveriam jogar, em simultâneo, a experiência e as próprias características dos futebolistas evidenciam o contrário e mostram que a opção pela “dupla atacante” retira espaço de manobra aos avançados, especialmente quando defrontam equipas de menor dimensão, com a agravante de se ter de sacrificar um dos homens do meio-campo ou de uma das alas.
O certo é que, por muito bons jogadores que se possua, só a táctica não chega para ganhar jogos, exigindo-se ao treinador perspicácia e boa “leitura de jogo”, qualidades que não se verificaram no último encontro disputado em Alvalade, frente ao Vitória de Guimarães. Após expulsão de Maniche, colocar em campo Zapater, futebolista preso de movimentos com uma área de actuação muito restrita em detrimento de Nuno André Coelho, jogador rápido, diversas vezes ensaiado a trinco, quando o Vitória acabava de colocar em campo dois homens rápidos, não lembra ao diabo! Se acrescentarmos, a isto, a saída de Valdés, futebolista que estava a desempenhar de forma eficaz a ligação entre o meio-campo e o ataque e com o Sporting reduzido a dez unidades, fica-se com a sensação de estarmos em presença de mais um Carvalhal, Peseiro ou Queiroz.
Numa altura em que, os principais clubes nacionais, começam a abordar a estratégia de ataque ao “Mercado de Inverno”, não espanta que, para esse efeito, não existam verbas disponíveis na SAD sportinguista, atendendo a que, elementos como Sinama-Pongolle, Zapater, Tales, Caneira, Stoikovic, Caicedo, Grimi, Angulo, Matias Fernandez e Caneira, oriundos de mercados futebolísticos caríssimos (Itália, Espanha, Inglaterra), podem ter dado lucro ao empresário que os colocou em Alvalade, mas pouco acrescentaram ao palmarés leonino e, pelo contrário, acarretam avultados prejuízos financeiros e desportivas, que se irão reflectir no futuro do clube de Alvalade.

domingo, 17 de outubro de 2010

O "Chico Pipi"

Nos anos quarenta/cinquenta do século passado, passou pelas hostes encarnadas um futebolista de eleição e de raro talento. Quem o viu actuar diz que Rogério foi o futebolista mais genial que passou pelas hostes benfiquistas, antes de Eusébio ter desembarcado no aeroporto da Portela, em Dezembro de 1960.
Rogério era um driblador extraordinário e um temível marcador de golos. Como era elegante e gostava de se vestir bem, um dia, um famoso alfaiate convidou-o a posar. Vestiram-lhe um fato de gala, chamaram um fotógrafo e apareceu na primeira página da revista “Flama” como se fosse um artista de Hollywood. Como estava todo “pipi”, nome dado aos rapazes da moda, o Rogério Lantres de Carvalho passou a ser conhecido pela alcunha, lançada pelos seus colegas, “Rogério Pipi”.
Embora a qualidade futebolística de Francisco José Rodrigues da Costa, de “sobriquet” Costinha, tenha ficado a anos-luz da classe patenteada por Rogério, também a alcunha de “ministro”, que tão orgulhosamente ostenta, não surgiu, propriamente, da sua fraca vocação para a governação, como actualmente se recomenda aos comediantes (onde se lê comediantes deve ler-se governantes), mas tão somente pelas fatiotas que enverga.
Hoje em dia, a vestimenta deixou de distinguir o estrato social, a personalidade ou o estilo de vida. Com a globalização alguns jovens começaram a usar as “jeans” rotas, debotadas e, provocantemente, abaixo da cintura, evidenciando zonas até então desconhecidas, seguindo a tendência da moda.
Por outro lado, numa sociedade regida pelo poder económico, não é alheio o aparecimento de um elevado grau de ostentação e exibicionismo, que se reflecte na roupa que se usa e que, por vezes, contraria a própria preferência ou personalidade.
De origem humilde, mas com um caminho percorrido, no cumprimento da carreira futebolística, que lhe proporcionou não só elevada disponibilidade financeira mas também convivência e proximidade com culturas de diferentes países, Costinha não conseguiu o discernimento necessário para se afastar do ridículo e da pirosice precoce, normalmente, orientados por padrões culturalmente débeis.
Como as manifestações de exibicionismo não conhecem limites, não foi difícil a descoberta dos fatos coloridos, confeccionados por medida, às riscas ou aos quadrados, complementados por camisas rosas, violetas ou cor de púrpura, adornadas com berrantes gravatas, pouco consentâneos com o cargo que ocupa. Também os óculos de marca adornando zonas capilares, abrilhantadas por camadas de gel, evidenciam sinais de uma descabida pseudo elevação social.
O “caso Izmailov” colocou a nu alguma inexperiência e ingenuidade na gestão dos recursos humanos da SAD leonina, fazendo supor que, em Alvalade, há quem queira mostrar autoridade, mas não saiba bem o que isso é. Só a sede de protagonismo e a necessidade de afirmação imediata explica a campanha organizada contra Izmailov, um profissional sempre admirado pelos associados, pela sua entrega e profissionalismo em campo.
Os adeptos leoninos não querem acreditar que, tudo se resuma a uma “luta” entre empresários, sabendo-se que, Jorge Mendes tem sido o “gestor de carreira” de Costinha, e que Paulo Barbosa é, presentemente, o empresário de Izmailov. Ou tudo se justifica pela necessidade de “limpeza” de alguns resíduos deixados, quando da sua pouco conseguida passagem pelo Dínamo de Moscovo?

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Incongruências técnicas

Não poderia ter sido mais desastrada a aventura de Gilberto Madail, em Madrid, com o objectivo de convidar José Mourinho para treinar a selecção portuguesa, nos dois encontros a realizar frente à Dinamarca e Islândia, no próximo mês de Outubro.
Com uma proposta tão inesperada como absurda, envolvendo, na polémica, o técnico e os dirigentes do Real Madrid, Madail atirou com o barro à parede e cumpriu a sua obrigação ao convidar o “melhor treinador do mundo”, só que lançou uma confusão tremenda junto das hostes madrilenas e deixou em Espanha a imagem de instabilidade que se vive na Federação.
Sabendo que, à partida, a missão era completamente impossível, a caricata e descabida atitude de Gilberto Madail teve, provavelmente, como principal finalidade atenuar a fraca imagem deixada pela selecção, na África do Sul, libertar-se das criticas deixadas na resolução do “caso Queiroz” e proporcionar um entreabrir de portas para uma, eventual, recandidatura à presidência da F.P.F.
Para além do desgaste sofrido por Mourinho que, inteligentemente, não recusou o convite e soube colocar o odioso da decisão final, nos dirigentes do clube de Santiago de Bernabeu, sabia-se, antecipadamente, que o Real Madrid, clube de desmesuráveis ambições, não iria disponibilizar, de ânimo leve, um técnico que, pago a peso de ouro, deveria, em qualquer circunstância, estar totalmente envolvido e concentrado no clube.
Quando Mourinho, conhecendo os exigentes dirigentes do clube que representa, se disponibilizou para aceitar de bom agrado a solução preconizada, estava a proceder de forma semelhante à do presidente da Federação, uma vez que, sabia que a fantasia delineada não tinha “pernas para andar”. Ao aceitar o convite, estava somente a dar cumprimento à tese desenvolvida, quando abandonou o Chesea, de estar sempre disponível para “dar uma mãozinha” à selecção portuguesa, em caso de extrema necessidade e urgência.
Por outro lado, e como o sucesso nunca é garantido, Mourinho com as afirmações proferidas ganhou créditos não ao nível de Madail, que deverá estar de saída, mas dos adeptos portugueses, ao ponto de se oferecer para treinar o seleccionado nacional sem custos.
Por outro lado, estranha-se a posição de Mourinho que, também não ficou bem na fotografia quando, após a negativa de Floriano Perez em o libertar, declara: «Não entendo como o Real Madrid não me deixa treinar a Selecção Nacional, quando em Madrid não tenho quase nada para fazer, pois vou estar aqui dez dias de férias».
Tais declarações, certamente, terão causado mal-estar nos dirigentes e apoiantes do clube madrileno, não só porque Mourinho é o treinador mais bem pago do mundo, mas porque deverá estar, exclusivamente, concentrado nas aspirações do Real Madrid.
O próprio Mourinho já referiu, em diversas ocasiões, que um técnico de futebol de alto gabarito, deverá ocupar os “tempos mortos”, quando afastado do treinamento, dos jogos e, logicamente, dos jogadores, a visionar vídeos de futuros adversários, a estudar estratégias para os próximos encontros, a observar as camadas jovens da “cantera” na tentativa de descoberta de futuros craques ou preocupado em arranjar soluções para levar de vencida os seus opositores.
Com aura de vencedor, gerindo a carreira com inteligência, é difícil de entender o passo arriscado de José Mourinho, ao disponibilizar-se para aceitar e discutir a proposta de Madail, pois sempre fez passar a mensagem de que o sucesso depende do trabalho, da competência, da capacidade mobilizadora, do envolvimento e cumplicidades com os futebolistas, sendo, por isso, difícil de entender como se poderia treinar uma selecção à distância.
Também difícil de compreender são as posições assumidas, no caso concreto do convite endereçado a Mourinho, por alguns técnicos credenciados do futebol português, que defenderam a presença do treinador do Real Madrid, em part-time, na orientação da equipa nacional.
Tudo isto não passaria de mais uma aberração do futebol português se não contrariasse e colocasse em causa algumas das pseudo-teorias que a maioria dos treinadores portugueses têm vindo a desenvolver, ao longo dos tempos.
De facto, alguns dos treinadores que se manifestaram concordantes com a presença de Mourinho à frente da Selecção, são os mesmos que, quando chegam a um novo clube e os resultados positivos tardam em aparecer privilegiam o argumento da “falta de tempo”, para avaliar as características físico-técnicas dos futebolistas ao seu dispor, a necessidade de impor novas metodologias de treino ou a identificação das carências existentes no plantel, justificando, assim, o retardar dos êxitos desportivos que os adeptos anseiam.
Assim, a opção de trazer Mourinho para comandar a selecção nacional em, somente, dois encontros a disputar em 10 dias, contraria frontalmente todas as teses que os técnicos, treinadores e “experts” em futebol científico têm vindo a implementar ao longo das últimas décadas e que, tão ridiculamente, têm valorizado.
O conhecimento das reais potencialidades técnicas, físicas e mentais dos atletas, tão requerido pelos treinadores, as “rotinas de jogo”, a opção pelo Plano A, B ou C como estratégia técnico-táctica, as “jogadas estudadas”, a “pressão alta”, a definição dos “blocos”, o aperfeiçoamento das transições defesa-ataque, o treino das “bolas paradas”, a análise exaustiva dos adversários e outros termos que os treinadores nacionais utilizam para tornar mais complexo o entendimento futebolístico e valorizar o seu desempenho e capacidades, caiem por base quando aceitam de animo leve a presença de um técnico, mesmo sendo o melhor do mundo, para treinar durante 8 dias, fazer as malas e abalar.
A solução, de recurso, encontrada por Gilberto Madail, para a resolução de todo este imbróglio, foi apostar em Paulo Bento, o técnico que estava mais à mão. Quem assina um contrato com Carlos Queiroz, por quatro anos, pelos os montantes conhecidos, que quer fazer acreditar que traria José Mourinho com facilidade, também consegue desiludir quem, neste momento, esperava a contratação de um seleccionador mais bem disposto, mais extrovertido, menos conflituoso, menos rígido tacticamente e que vai sentir dificuldades em “encaixar” os flanqueadores, Nani, Quaresma e……Cristiano Ronaldo, no seu “fastidioso losango”.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Morte anunciada

«É preciso varrer a porcaria que há na Federação!». Foi com esta frase polémica proferida, em San Siro, em finais de 1993, que Carlos Queiroz abandonou o cargo de seleccionador nacional de futebol, após derrota e afastamento da Selecção Nacional, da fase final do mundial dos EUA.
Concretizando um tremendo erro de Gilberto Madail, em Julho de 2008, o mesmo Carlos Queiroz aceitava ser de novo seleccionador nacional, rubricando um contrato válido por quatro anos, com um ordenado de 1,6 milhões de euros por ano e, provavelmente por isto, aceitava passar a fazer parte da “porcaria” existente na F.P.F..
A segunda passagem de Queiroz pela selecção nacional de futebol veio confirmar, mais uma vez, a falta de aptidão do técnico para o desempenho do lugar, embora tivesse sido considerada uma óptima escolha não só pelo presidente da Federação, mas também por todos aqueles que, iludidos pelo discurso cientifico do professor, não apreciavam a forma como o grupo era conduzido por Scolari.
Com a sombra do técnico brasileiro sempre por perto, para facilitar a tarefa de afirmação e valorização do trabalho de Carlos Queiroz, à frente da Selecção Nacional, havia que desprezar os últimos 15 anos onde Portugal apenas falhou uma qualificação para as oito fases finais realizadas, sempre com brilhantes desempenhos como aconteceu no Euro 2000 (Humberto Coelho), no Euro 2004, no Mundial 2006 e no Euro 2008, onde o trabalho fantástico de Luiz Felipe Scolari foi complementado com um feliz casamento entre a Selecção e os adeptos, mas que acabou em divórcio após a chegada de Queiroz, por falta de inteligência emocional do professor.
Mesmo para os mais optimistas a fase de apuramento para o Mundial 2010 tinha demonstrado que Carlos Queiroz não era, efectivamente, o homem certo para comandar o seleccionado português. Denunciando uma evidente falta de liderança a nível técnico, arranjou problemas com dirigentes e médicos que, facilmente, se estenderam aos jogadores, não sendo por mero acaso que, após o afastamento da selecção da África do Sul, Ronaldo, farto de andar sozinho lá na frente, e Deco, que não merecia uma despedida assim, se tenham manifestado de uma forma desabrida e azeda, fazendo supor a existência de alguma turbulência, no seio do grupo de trabalho.
Para além de se questionar as apostas de Carlos Queiroz, a quem foram satisfeitos todos os desejos e concedidos todos os meios solicitados, inclusive, verificaram-se mudanças, sem qualquer sentido, na estrutura das equipas técnicas das diversas selecções de futebol jovem, com a introdução de técnicos e gente da confiança do seleccionador nacional, sempre com o argumento demagógico de defesa do “modelo” e da reestruturação das selecções, esquecendo-se que ao nível das camadas jovens são os clubes os grandes responsáveis pelo aparecimento de novos valores.
Por outro lado, e desde que atingiu a independência financeira, fruto de uma carreira internacional onde foram maiores as indemnizações conseguidas, por despedimentos precoces, que os resultados desportivos alcançados, Queiroz começou a assumir posições desagradáveis, algumas de difícil explicação. A arrogância passou a ser mais evidente, o discurso e as atitudes mais agressivas, e a “máscara” da hipocrisia, que o tinha conduzido a lugares inimagináveis (ex.: Real Madrid), começou a cair, pese o esforço e propaganda dos seus fieis escudeiros, de jornalistas embevecidos pelo seu dom oratório e dos adeptos iludidos pela simpatia e pela imagem de competência, realçada por alguns futebolistas que, ainda garotos, tinham sido campeões mundiais.
Facto curioso e elucidativo, do carácter do professor e que contraria, em parte, a imagem que continuamente tenta “passar”, é referido na decisão do Tribunal Cível de Oeiras, que em Dezembro de 2008, condenou Carlos Queiroz a pagar 56 250 dólares a Salem Jawad, empresário que, em 1998, o levou para os Emiratos Árabes Unidos. O tribunal deu como provado que Queiroz recebeu mais tarde o dinheiro da rescisão de contrato e não pagou a comissão a que o empresário teria direito. A sentença refere ainda que, Queiroz negou inicialmente ter recebido essa indemnização, vindo a confirmá-lo depois, sendo acusado, por este motivo, de «conduta integradora de litigância de má-fé». Ou seja acusado de ter mentido em tribunal.
Num Portugal de brandos costumes com um seleccionador incapaz de motivar jogadores e adeptos, com uma selecção a deixar de jogar para ganhar, que ia deixando Portugal fora do Mundial de 2010, ainda se permite que sejam “branqueadas” as asneiras cometidas, dizendo que a participação no mundial foi positiva e que a equipa fez uma excelente exibição frente à Espanha. Para “ajudar à festa”, mais tarde saber-se-ia que, mesmo a receber 7,2 milhões de euros de prémio da FIFA pela presença da Selecção Nacional nos oitavos-de-final, a F.P.F. conseguiu apurar um prejuízo de 1 milhão de euros com a campanha da África do Sul! E o seleccionador Carlos Queiroz com direito a 10 por cento desse prémio: ou seja, uns escandalosos 720 mil euros!
Tudo acontece devido à falta de liderança de um Gilberto Madail, distraído e embriagado pelas falinhas mansas do professor, que com ele fez sempre uma espécie de chantagem psicológica, ao ponto do presidente da Federação ser incapaz de negar qualquer tipo de mordomia (bons hotéis, estágio em altitude, adjuntos locais, missões de observação, etc.), caindo no ridículo de ter de premiar, milionáriamente, um resultado julgado medíocre pela maioria dos portugueses.
Após uma serie de atitudes tão inesperadas como incompreensíveis, aliada a resultados pouco conseguidos, termina sem honra e sem glória o ciclo Queiroz na Selecção Nacional, depois de ter agredido um comentador desportivo, em plena sala de embarque do aeroporto, insultado uma brigada anti-doping, de ter apelidado de amadora a estrutura da F.P.F e de ter dirigido impropérios a um jornalista do “Sol”. Posteriormente, associou a imagem do “polvo” ao vice-presidente da federação, que afinal era uma “nuvem”, porque os muitos anos que passou no estrangeiro (17 anos), a iludir o futebol de outras paragens, originaram atitudes de agressividade, de intolerância, de falta de humildade que o distanciaram tanto dos portugueses e o tornaram tão elitista que a solução talvez estivesse em mudar o País, para agradar a tão ilustre criatura.
De facto, a tranquilidade, a discrição e o ar metódico do passado transformaram-se e deram origem a um Carlos Queiroz polémico, nervoso e onde situações menos felizes como as que esteve envolvido nunca se tinham manifestado, do mesmo modo, em Madrid ou em Manchester.
Cada vez mais isolado, ocultando a falta de comando sobre os jogadores e denunciando uma confrangedora ausência de rasgo táctico Queiroz, quer queiram quer não, sempre foi um perdedor cuja a arrogância e a vaidade nunca lhe deram tempo para ouvir as criticas, pois a sua atenção sempre foi só para aqueles que o apoiaram.
É lamentável que, tenha sido preciso desperdiçar cinco pontos frente ao Chipre e à Noruega, complicando a qualificação para o Europeu, num grupo relativamente fácil, para se aperceberem que Queiroz não tinha condições para continuar, embora, em tempos não muito distantes tenha afirmado que: «Daqui só saio morto!».
A novela Queiroz à frente da selecção, chegou ao fim e com ela a desmistificação do empenho na formação e na descoberta de novos talentos saídos, muitos deles, de nacionalizações feitas à pressa, por um individuo que a maioria dos portugueses está farta de aturar.


Morte anunciada

«É preciso varrer a porcaria que há na Federação!».
Foi com esta frase polémica proferida, em San Siro, em finais de 1993, que Carlos Queiroz abandonou o cargo de seleccionador nacional de futebol, após derrota e afastamento da Selecção Nacional, da fase final do mundial dos EUA.
Concretizando um tremendo erro de Gilberto Madail, em Julho de 2008, o mesmo Carlos Queiroz aceitava ser de novo seleccionador nacional, rubricando um contrato válido por quatro anos, com um ordenado de 1,6 milhões de euros por ano e, provavelmente por isto, aceitava passar a fazer parte da “porcaria” existente na F.P.F..
A segunda passagem de Queiroz pela selecção nacional de futebol veio confirmar, mais uma vez, a falta de aptidão do técnico para o desempenho do lugar, embora tivesse sido considerada uma óptima escolha não só pelo presidente da Federação, mas também por todos aqueles que, iludidos pelo discurso cientifico do professor, não apreciavam a forma como o grupo era conduzido por Scolari.
Com a sombra do técnico brasileiro sempre por perto, para facilitar a tarefa de afirmação e valorização do trabalho de Carlos Queiroz, à frente da Selecção Nacional, havia que desprezar os últimos 15 anos onde Portugal apenas falhou uma qualificação para as oito fases finais realizadas, sempre com brilhantes desempenhos como aconteceu no Euro 2000 (Humberto Coelho), no Euro 2004, no Mundial 2006 e no Euro 2008, onde o trabalho fantástico de Luiz Felipe Scolari foi complementado com um feliz casamento entre a Selecção e os adeptos, mas que acabou em divórcio após a chegada de Queiroz, por falta de inteligência emocional do professor.
Mesmo para os mais optimistas a fase de apuramento para o Mundial 2010 tinha demonstrado que Carlos Queiroz não era, efectivamente, o homem certo para comandar o seleccionado português. Denunciando uma evidente falta de liderança a nível técnico, arranjou problemas com dirigentes e médicos que, facilmente, se estenderam aos jogadores, não sendo por mero acaso que, após o afastamento da selecção da África do Sul, Ronaldo, farto de andar sozinho lá na frente, e Deco, que não merecia uma despedida assim, se tenham manifestado de uma forma desabrida e azeda, fazendo supor a existência de alguma turbulência, no seio do grupo de trabalho.
Para além de se questionar as apostas de Carlos Queiroz, a quem foram satisfeitos todos os desejos e concedidos todos os meios solicitados, inclusive, verificaram-se mudanças, sem qualquer sentido, na estrutura das equipas técnicas das diversas selecções de futebol jovem, com a introdução de técnicos e gente da confiança do seleccionador nacional, sempre com o argumento demagógico de defesa do “modelo” e da reestruturação das selecções, esquecendo-se que ao nível das camadas jovens são os clubes os grandes responsáveis pelo aparecimento de novos valores.
Por outro lado, e desde que atingiu a independência financeira, fruto de uma carreira internacional onde foram maiores as indemnizações conseguidas, por despedimentos precoces, que os resultados desportivos alcançados, Queiroz começou a assumir posições desagradáveis, algumas de difícil explicação. A arrogância passou a ser mais evidente, o discurso e as atitudes mais agressivas, e a “máscara” da hipocrisia, que o tinha conduzido a lugares inimagináveis (ex.: Real Madrid), começou a cair, pese o esforço e propaganda dos seus fieis escudeiros, de jornalistas embevecidos pelo seu dom oratório e dos adeptos iludidos pela simpatia e pela imagem de competência, realçada por alguns futebolistas que, ainda garotos, tinham sido campeões mundiais.
Facto curioso e elucidativo, do carácter do professor e que contraria, em parte, a imagem que continuamente tenta “passar”, é referido na decisão do Tribunal Cível de Oeiras, que em Dezembro de 2008, condenou Carlos Queiroz a pagar 56 250 dólares a Salem Jawad, empresário que, em 1998, o levou para os Emiratos Árabes Unidos. O tribunal deu como provado que Queiroz recebeu mais tarde o dinheiro da rescisão de contrato e não pagou a comissão a que o empresário teria direito. A sentença refere ainda que, Queiroz negou inicialmente ter recebido essa indemnização, vindo a confirmá-lo depois, sendo acusado, por este motivo, de «conduta integradora de litigância de má-fé». Ou seja acusado de ter mentido em tribunal.
Num Portugal de brandos costumes com um seleccionador incapaz de motivar jogadores e adeptos, com uma selecção a deixar de jogar para ganhar, que ia deixando Portugal fora do Mundial de 2010, ainda se permite que sejam “branqueadas” as asneiras cometidas, dizendo que a participação no mundial foi positiva e que a equipa fez uma excelente exibição frente à Espanha. Para “ajudar à festa”, mais tarde saber-se-ia que, mesmo a receber 7,2 milhões de euros de prémio da FIFA pela presença da Selecção Nacional nos oitavos-de-final, a F.P.F. conseguiu apurar um prejuízo de 1 milhão de euros com a campanha da África do Sul! E o seleccionador Carlos Queiroz com direito a 10 por cento desse prémio: ou seja, uns escandalosos 720 mil euros!
Tudo acontece devido à falta de liderança de um Gilberto Madail, distraído e embriagado pelas falinhas mansas do professor, que com ele fez sempre uma espécie de chantagem psicológica, ao ponto do presidente da Federação ser incapaz de negar qualquer tipo de mordomia (bons hotéis, estágio em altitude, adjuntos locais, missões de observação, etc.), caindo no ridículo de ter de premiar, milionáriamente, um resultado julgado medíocre pela maioria dos portugueses.
Após uma serie de atitudes tão inesperadas como incompreensíveis, aliada a resultados pouco conseguidos, termina sem honra e sem glória o ciclo Queiroz na Selecção Nacional, depois de ter agredido um comentador desportivo, em plena sala de embarque do aeroporto, insultado uma brigada anti-doping, de ter apelidado de amadora a estrutura da F.P.F e de ter dirigido impropérios a um jornalista do “Sol”. Posteriormente, associou a imagem do “polvo” ao vice-presidente da federação, que afinal era uma “nuvem”, porque os muitos anos que passou no estrangeiro (17 anos), a iludir o futebol de outras paragens, originaram atitudes de agressividade, de intolerância, de falta de humildade que o distanciaram tanto dos portugueses e o tornaram tão elitista que a solução talvez estivesse em mudar o País, para agradar a tão ilustre criatura.
De facto, a tranquilidade, a discrição e o ar metódico do passado transformaram-se e deram origem a um Carlos Queiroz polémico, nervoso e onde situações menos felizes como as que esteve envolvido nunca se tinham manifestado, do mesmo modo, em Madrid ou em Manchester.
Cada vez mais isolado, ocultando a falta de comando sobre os jogadores e denunciando uma confrangedora ausência de rasgo táctico Queiroz, quer queiram quer não, sempre foi um perdedor cuja a arrogância e a vaidade nunca lhe deram tempo para ouvir as criticas, pois a sua atenção sempre foi só para aqueles que o apoiaram.
É lamentável que, tenha sido preciso desperdiçar cinco pontos frente ao Chipre e à Noruega, complicando a qualificação para o Europeu, num grupo relativamente fácil, para se aperceberem que Queiroz não tinha condições para continuar, embora, em tempos não muito distantes tenha afirmado que: «Daqui só saio morto!».
A novela Queiroz à frente da selecção, chegou ao fim e com ela a desmistificação do empenho na formação e na descoberta de novos talentos saídos, muitos deles, de nacionalizações feitas à pressa, por um individuo que a maioria dos portugueses está farta de aturar.


quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Premonição? Ou talvez não.

No dia 2 de Dezembro de 1994, com Carlos Queiroz a treinar o Sporting e a “consumir” o potencial de sucesso adquirido com a conquista dos dois campeonatos mundiais de sub-19, o autor destas linhas iniciava a sua participação no concurso televisivo, da SIC, “Os Donos do Jogo”, conduzido por Jorge Gabriel.
Com a finalidade de descontrair e apresentar, sumariamente, os concorrentes, Jorge Gabriel começa por questionar o signatário, nos seguintes termos:
JG: «O Luís é do Sporting e diz que o Sporting não vai conseguir ser campeão?»
Luís: «Oxalá consiga, mas eu não acredito no Carlos Queiroz, como treinador de futebol».
Colocar em causa os conhecimentos técnicos de Queiroz, em finais de 1994, era no mínimo politicamente incorrecto. Acusá-lo de incompetente era não só uma blasfémia, mas o suficiente para ser apelidado de ignorante, em termos futebolísticos.
Volvidos mais de quinze anos e com os fracassos desportivos sobejamente conhecidos, no dia em que a F.P.F. aponta a porta de saída ao seleccionador nacional, alguns classificam a frase como uma premonição ou pressentimento. Outros, mais identificados, sabem não se tratar de qualquer tipo de intuição ou palpite mas, seguramente, muito mais que isso.